Alegrias e Tristezas na visita a 11 igrejas brasileiras nos EUA
Quarta, 31 de Outubro de 2007Famílias divididas pela Fronteira
Agradeço a Deus pela oportunidade de falar para brasileiros que querem orar pelos filhos, mas tive a dor de estar longe de minha família e de constatar que nos EUA existem muitos lares divididos pela fronteira.
Gostaria de dividir meu relato destes 23 dias nos EUA em 3 surpresas e constatações sobre a igreja brasileira nos EUA. Hoje falarei sobre as famílias divididas pela fronteira. Veja a história:
Carlos é mais um brasileiro que trabalha 9 horas diárias na construção civil nos EUA. Ao fim do dia, quando volta para casa, calcula a quantia de dinheiro que enviará a sua cidade de origem no Brasil. A satisfação por poder enviar esperança aqueles que deixou há milhas de distância, é interrompida pela dor de mais um dia de cansaço e solidão. Mais um dia onde a ausência da esposa e do filho se transforma em lágrimas e desânimo. Sofrimento que só pode ser medido pelos milhares de brasileiros que como Carlos, um dia se despediu de pais, filhos ou cônjuge.
Histórias como está foi a que ouvi lá. Uma troca para eles necessária em busca de um futuro, no mínimo, financeiramente digno. Uma chance de virar o jogo da vida. Mas a que ponto vale a oportunidade e a satisfação da provisão quando a dor da separação mutila a família?Até onde é possível agüentar o aperto da saudade e a traiçoeira emoção? Para quem mora no exterior, as questões vão mais longe do que simplesmente ter vontade de ver o filho, estar com a esposa ou receber um abraço do pai. Será que um dia, serão família novamente?
Perguntei sobre ter enfrentado momentos difíceis nesta fase, e alguns contaram que foi inevitável, alguns, fugiam para as drogas ou bebidas, e que às vezes pediam ajuda entre os verdadeiros amigos. “A minha vida era trabalhar, vir para casa e ir para a igreja”, contavam algumas mães. “Depressão? Com certeza! Depressão é a doença da saudade! Apareceram doenças e reações físicas como nunca tinham tido antes”.
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Muitos casais optam por permanecerem separados por anos sem qualquer previsão de estarem juntos novamente. A impossibilidade de deixar os EUA, unida a necessidade de levar provisão e estabilidade à família tem constantemente separados pais de filhos. No entanto depois de falar sobre pais que oram por seus filhos, e que a oração também exige exemplo de dependência de Deus fui categórica em alertar para os perigos de casamento separados e para a criação de filhos sem a presença de pais.
Queridos irmãos minha posição foi radical. Penso que um dia estes casais assumiram um compromisso diante de Deus e dos homens quando fizeram um voto que “até que a morte os separe”! Muitas mulheres vieram conversar comigo no final dos cultos e pude falar:
- Vocês estão separados pela fronteira, mas voltem a viver juntos o mais rápido possível. Mulheres carentes deixadas no Brasil se envolvem em relações extraconjugais. Vice-versa é verdadeiro também. Conseqüências disto virão nas gerações futuras com certeza. Para a situação de filhos que ficaram com avós ou tios no Brasil a situação é mais complicada “Nada se compara a presença do pai e da mãe. Não há brinquedo eletrônico ou presente que pague a presença viva de um pai e de uma mãe.
Tive muito cuidado para falar sobre as mães e pais que oram por seus filhos no Brasil. Mas estes pais brasileiros que moram no exterior não podem se esconder apenas na oração, achando que já estão fazendo o suficiente. É preciso instrução, exemplo e presença dos pais junto dos filhos. Crianças e adolescentes devem crescer com seus pais e não serem deixados no Brasil. Deus não nos dá filhos para outras pessoas criarem. Tentei não dar respostas prontas, mas oro para que um dia pais, mães e filhos, sentem na mesa para jantar e que não haja uma cadeira vazia nem a falta de um membro da família que está do outro lado da fronteira.
Um grande abraço a minha igreja querida, continuo no final de semana.