Meu primeiro dia na Vila Olímpica

Jing, meu aluno da Escola Internacional de Liderança na África do Sul veio me buscar no AP onde estou hospedado para me levar até a Vila porque teríamos de tomar 2 ônibus na ida e 2 na volta. Como ninguém fala inglês por aqui, tivemos que pedir muitas informações até encontrarmos portão certo. Sem o Jing eu jamais teria chegado lá.
O acesso foi fácil e rápido. Mas na hora de passar da área internacional para a residencial a coisa enroscou. Mandaram o rapaz da delegação brasileira buscar um sacerdote no portão. Ele imaginou um cara alto, de batina, colarinho clerical, barbudo e com cara de São Francisco. Como eu estava de tênis, boné bermuda e óculos escuros; ele não me achou de jeito nenhum! Perdemos mais de 1 hora até nos encontrarmos conseguirmos para de rir da nossa história.
Já na vila, arrumamos um mapa e fizemos um tour juntos. Em duas horas conheci os alojamentos do Brasil, o centro ecumênico, o restaurante o centro administrativo onde comprei os tickets refeição e até o centro de tradições chinesas onde me ensinaram a escrever meu nome em chinês.

olip1 - olip1

No restaurante encontrei 2 estrelas do basquete que conheci no Mundial de basquete em S. Paulo. Batemos um papo muito legal e descontraído. Uma sugeriu: “Tava bom da gente fazer um culto! Como é que gente faz?” – “Culto é comigo mesmo!” respondi, e combinamos o tema para a próxima vez que eu tiver acesso a vila. Logo chegaram mais duas colegas e um pessoal da comissão técnica, a quem fui apresentado.
Depois do almoço peguei o circular da Vila para fazer o reconhecimento final do pedaço. Fiquei encantado com os temas, a arquitetura, o paisagismo os detalhes acabamento.
Depois conversei com um amigo de outras olimpíadas que me forneceu os endereços dos nossos atletas que já estão na vila bem como as datas de chegada dos que ainda não vieram. De lá dei um pulo até o alojamento do Canadá tentando contatar uma atleta que conhecemos no Pan Americano.
Voltei ao Centro Ecumênico muito bem montado e com pastores, sacerdotes padres e rabinos chineses do Budismo, Islamismo, Judaísmo, Hinduísmo, Catolicismo e Protestantismo à disposição dos atletas, mas sem nenhuma experiência em lidar com atletas e olimpíadas. Como eu era o único freguês, tive a atenção total do pastor de plantão e batemos um papo muito legal. Ele me contou como é Cristianismo na China, mostrou as fotos da sua igreja, seminário e acampamento. Li o Salmo 91 na minha The Message Bible e ele orou por nós. Foi o nosso culto de domingo.
No fim da tarde encontrei uma fisioterapeuta cristã que conheci no Pan. Conversamos um bocado e louvamos a D por tê-la plantado em lugar tão estratégico.
Depois fui até o centro de convivência para assistir a largada do GP da Hungria onde Massa largou de forma esplêndida e liderou com categoria até perder acorrida, mas ganha de sua vida quando a Ferrari o deixou a pé a 3 voltas do fim.

f1 1 - f1 1

Voltei pra casa depois de 12 horas de trabalho, mas muito feliz com o resultado e por ter achado o caminho de volta sozinho conversando em mímica com os motoristas e cobradores dos ônibus que peguei.
Ao abrir a porta do AP encontrei meus colegas ingleses celebrando em frente à TV a quebra de Massa e o quinto lugar de Hamilton na F1
Estava tão cansado por causa do calorão e agitação, mas tão grato a D por meu primeiro dia na Vila que nem liguei pra eles. Tomei um bom banho, comi um pêssego e um yoghurt e bati a cara no travesseiro com tanta força que só acordei no dia seguinte. E sonhei que estava muuuuito feliz…

Alex Dias Ribeiro

Uma resposta para “ Meu primeiro dia na Vila Olímpica ”

  1. Angelina disse:

    Olá Alex,
    Muito bacana mesmo o seu relato!Como Deus é tremendo!
    Que Deus continue abençoando as suas muitas oportunidades.
    Eu e a minha família (inclusive as crianças) oramos todos os 7 dias que antecederam a Olímpiada, seguindo o progama de oração pela China promovido pelas Portas Abertas e oramos por você também.
    Abraços,
    Angelina

Deixe uma resposta.