Parte 1. Vejam nos próximos dias a publicação da segunda parte da notícia…
Race Report
Depois de 17 anos sem acelerar um carro de corrida recebi com surpresa o convite de Beto Monteiro. Pedi um tempo para conversar com Deus. Queria saber se isso vinha dele ou não. Quando tive certeza, parti para a ação. Tinha apenas 7 dias para adquirir alguma forma física e técnica. Foram 5 dias de academia e 2 correndo de Kart com a turma da Aseka e o Kilha para testar os reflexos e capacidade de concentração. Ganhei as duas corridas de Kart. Consegui tirar uma carteira de piloto por telefone e um Hans emprestado no último dia. Cheguei à Argentina com a convicção de que havia ganho mais um presente de Deus.
A Recepção
Fomos muito bem recebidos no aeroporto internacional de Buenos Aires pelo Marcos Di Palma, o piloto mais popular e bem pago da Argentina. Ele veio nos buscar em seu avião particular e nos levou ao Aeropark no centro da cidade. Foi o cartão de visita do tratamento VIP que Beto, Roberval Andrade e eu recebemos dos argentinos no fim de semana inteiro. A rivalidade que temos com “los hermanos” no futebol, não existe no automobilismo.
O Carro
O carro era um foguete! O motorzão tinha um berro de estourar os tímpanos e acelerava uma barbaridade. Chegávamos ao fim da reta a 255 km/h e entrávamos num curvão de alta velocidade daqueles banidos da Fórmula 1 em nome da segurança. Era uma ferradura de raio muuuuito longo.
“El curvon” parecia não ter fim apesar de o atravessarmos a mais 200 por hora, toreando 350 cavalos e 1400 quilos de carro pulando que nem boi de rodeio chicoteado pelas ondulações da pista, por uma força centrífuga descomunal e uma reação centrípeta animal produzida pelos pneus slicks, tentando agarrar-se ao asfalto com garras de leopardo enquanto eu brigava freneticamente com o pesado volante para manter a besta fera na trajetória.
Dentro dessa “muy nerviosa viatura” eu travava outra luta com meu cérebro ditando ordens ao pé direito: - Pise fundo! Freie mais tarde! Acelere mais cedo! Seja macho! Do outro lado os músculos do pescoço, braços e corpo inteiro protestavam veementemente apoiados pelo instinto de preservação.
Por todo o traçado o filme passava tão acelerado que minha mente mal dava conta de processar tantas informações e tomar tantas decisões em frações de segundo. Adrenalinado ao máximo exigi tanto de mim mesmo que parei no box depois de uma hora de treino com a sensação de que os dois olhos iam pular fora das cavidades oculares. O macacão estava encharcado de suor e uma fumaça de vapor saia de dentro do capacete em contato com o ar frio do inverno quando o saquei da cabeça.
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Alex Dias Ribeiro
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