Arquivo da categoria ‘Milton e Marcia Camargo’

Terceira onda nas missões indígenas…

Sexta, 10 de Outubro de 2008

Amados irmãos:
Graça e Paz!

É com imensa alegria que mais uma vez podemos dar notícias do trabalho que a MEVA tem feito no norte do Brasil.

Na primeira semana de setembro foram realizadas as reuniões do Conselho Administrativo da Missão. Agradecemos a Deus pelas decisões tomadas, resposta das orações dos irmãos em nosso favor.

Logo após as reuniões, Milton Camargo viajou para a aldeia do Alto Mucajaí, para dar assistência àquele grupo até o dia 25 de setembro. Edson e Myriam deverão substituí-lo até o dia 16 de outubro. Mantendo assim, o rodízio de missionários para ajudar as missionárias, Isabel, Jacqueline e Rosa que lá residem.
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Louvamos ao Senhor pelo VI Encontro Nacional do CONPLEI (Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) que aconteceu nos dias 4 a 7 de setembro em Manaus. Um encontro maravilhoso de mais de mil indígenas, representantes de pelo menos 44 etnias de todo o Brasil. Ali foi compartilhado o que Deus tem realizado no meio desses povos e pregada a Palavra de Deus que já está traduzida em diversas línguas indígenas. Houve testemunhos e apresentações de vários grupos musicais com hinos e louvores de autoria dos próprios indígenas. A MEVA estava representada por missionários e indígenas ianomâmis, macuxis, wapixanas e uai-uais.
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Estamos vivendo a chamada terceira onda nas missões indígenas no país, quando, após a vinda dos irmãos estrangeiros e atuação da igreja brasileira, os próprios indígenas assumem também a responsabilidade pela pregação do evangelho às dezenas de tribos que ainda não ouviram”.

Aqui em Boa Vista, há um grupo de sete indígenas sanumás, da região de Auaris, fazendo o curso bíblico do Ministério da Capacitação de Líderes Indígenas – MICALI. O curso está sendo ministrado pelos missionários, Daniel Teeter e Ademir dos Santos Silva, responsável pela tradução em sanumá desse curso. Uma oportunidade muito grande para esses indígenas que mora muito longe de Boa Vista, na fronteira com a Venezuela.
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Essas vitórias só são possíveis graças ao grande amor do nosso Pai e cooperação dos irmãos.

Louvado seja o Senhor!
Que Ele os abençoe grandemente!

Os Cinco Funerais

Terça, 15 de Abril de 2008

As razões que provocaram a tragédia foram as mesmas de sempre: a embriaguez provocada pelo caxiri feito com a mandioca fermentada somada a alguma rixa antiga ou desavença provocada por causas banais. O fato foi que Koaimi, um ianomâmi vindo de uma outra região e que vive em Palimi-U, posto onde a MEVA atua há mais de 30 anos, pegou a espingarda que conseguira no garimpo, colocou um cartucho carregado com um pedaço de metal e lascas de pregos, engatilhou a arma, postou-se ao lado de um dos paus de sustentação da casa coletiva, onde mais de quarenta ianomâmis se embriagavam, e esperou que Yiyo (Didjo) se aproximasse. Os gritos e a conversa exaltados foram interrompidos pelo enorme estrondo. Quando a fumaça se dissipou, os gritos de dor e desespero tomaram conta da maloca. Yiyo estava morto! O tiro desferido à queima-roupa atingira os órgãos vitais levando-o à morte instantaneamente. O que se seguiu foi uma cena difícil de imaginar, digna do Inferno de Dante, pois a dor dos familiares, os gritos de desespero e o ódio, somados à embriaguez, tomaram conta da casa coletiva. Koaimi, o assassino, fugiu cambaleante para a selva. Os parentes da vítima não puderam alcançá-lo. A tragédia inesperada levou os familiares de Yiyo a um nível de ódio extremo. Na cultura ianomâmi, a vingança e a retribuição são inevitáveis. O assassino fugira, mas sua família ficara. Entre eles o pequeno Emílio de seis anos, filho de Koaimi, que dormia na rede. Elivan, parente do morto, ensandecido pela dor e pelo desejo de vingança, esfaqueou o menino nas costas. Transcrevo uma parte da carta que recebi do Daniel, nosso missionário em Palimi-u, sobre o atendimento à criança que chegou ao posto às quatro horas da manhã: “… a mãe estava tão bêbeda que quase não conseguia falar. Várias vezes ela se colocou entre mim e a criança, segurando o braço do Emílio onde eu acabara de colocar o soro. Ela ficava tentando chamar a minha atenção para um ferimento menor na mão da criança, enquanto eu tentava cuidar do ferimento nas costas. Quando Emílio morreu, ela demorou a perceber o que havia acontecido. Para mim, a parte mais triste foi a cena que presenciei quando levava o corpo e os familiares para a casa coletiva rio acima. Eu observava o irmãozinho do Emílio, Everaldo, de quatro anos. Ele estava sentado na frente do barco, em completo silêncio. Não chorava, mas olhava repetida e ansiosamente ora para a mãe que chorava desesperada, ora para o corpo do irmão com um olhar angustiado, procurando uma explicação. Os dois eram muito amigos…
Os Cinco Funerais - Os Cinco Funerais

Nos meus 28 anos de ministério entre os povos indígenas no norte do Brasil, ainda não vi nada mais triste que uma casa ianomâmi em luto. O choro copioso e os lamentos em alta voz de dezenas de indígenas numa casa escura e sempre enfumaçada tornam o ambiente ainda mais triste e chocante.

Os corpos foram envoltos em esteiras, feitas de madeiras finas e cipós, e pendurados em giraus pelas respectivas famílias. Koaimi ouvia o choro de lamento pelos mortos. Provavelmente alguém o avisara da morte do próprio filho. Segundo Daniel, alguns índios ouviram-no chorando do outro lado do rio, e isso, mais uma vez, suscitou o desejo de vingança contra quem fora responsável pela tragédia. Os parentes de Yiyo se prepararam. Conseguiram uma espingarda, munição e partiram. A morte do pequeno Emílio não fora suficiente para aplacar a necessidade de retribuição. Encontraram o Koaimi não muito distante da maloca. Ele fugira sem levar nada, nem ao menos um facão. Os vingadores aproximaram-se e mais um tiro foi disparado. Koaimi foi atingido na coxa e no abdômen. Gritou e correu. Os vingadores seguiram o rastro de sangue deixado pelo índio ferido, mas não o encontraram. Não é difícil imaginar o desfecho dessa história. Os ferimentos provocados por arma de fogo infeccionam facilmente, especialmente aqui na Amazônia, por causa da umidade e do calor. Sem nenhum medicamento, sem armas e sem rede, Koaimi não resistirá aos ferimentos e seu corpo jamais será encontrado. Será o terceiro funeral. Mas a família de Yiyo ainda não ficou satisfeita. Um irmão de Koaimi, Careca, que vive em Mucajaí, outro posto onde a Meva atua, precisou fugir. Parentes de Yiyo iriam matá-lo.
Os Cinco Funerais2 - Os Cinco Funerais2

O quarto funeral aconteceu em São Paulo. Uma menina, Isabella, um pouco mais velha que o Emilio, foi jogada do alto de um prédio. A polícia ainda procura os assassinos. Yiyo, Emílio, Koaimi, Isabella…famílias choram perdas irreparáveis e definitivas. Você pode imaginar o que o Koaimi sentiu depois de passado o efeito do álcool, sabendo que havia matado um homem de 42 anos e que seu filho morrera como conseqüência do seu ato? Você pode imaginar o que sentiu o pequeno Everaldo vendo o corpo do irmãozinho morto? Pode imaginar a dor de Koaimi provocada pelo ferimento infeccionado, ver suas forças se esvaindo e saber que a morte seria certa? Como entender que um homem criado à imagem e semelhança de Deus consegue esfaquear um menino de seis anos, ou jogar uma menina de um prédio?

Mas ainda falta um funeral. Mais uma morte. E essa acontece como conseqüência direta das outras quatro. Foi o funeral do Filho de Deus. Um assassinato praticado por todos nós, como conseqüência da nossa maldade. Uma cruz foi erguida e, por minha causa, o próprio Deus encarnado na pessoa de Jesus Cristo pagou um preço altíssimo para que você e eu pudéssemos renascer com a imagem de Deus restaurada em nossa vida, livre do poder e da penalidade do pecado.

O Senhor sabia que o inimigo viria somente para roubar, matar e destruir. Os quatro funerais são um exemplo típico da atuação maligna num mundo doente e pervertido, aqui na selva ou aí nas regiões mais desenvolvidas do país; mas é o final do versículo de João 10:10 que mostra o valor infinito do quinto funeral a uma humanidade rebelde e sem esperanças: “mas eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância…

É por isso que continuamos aqui. A solução para os problemas dos ianomâmis e de toda a raça humana está na cruz, na promessa de uma vida nova, redimida pelo poder da morte e ressurreição do nosso salvador! Que maravilhosa redenção! Que transformação impressionante! Porque na minha essência eu sei, e como sei, que não sou melhor que os assassinos identificados nessa triste história. O que fez diferença na minha vida foi o quinto funeral. Louvado seja o Senhor!

Que esse quinto funeral continue transformando sua vida e que a gratidão por esse gesto supremo de amor por alguém que não merecia possa ser cada vez mais importante para você.

Nossa família vai bem. Eu continuo como presidente da Meva. Sei que é esse o trabalho que Deus me deu. Emergências, Funai, Polícia Federal, Ministério Público, Funasa e outros estão levando os poucos fios de cabelo que me restam. Muitas vezes dá vontade de “chutar o balde” e me mudar para a Suécia. Não me pergunte o porquê. Acho que o mundo começa em Estocolmo, Suécia, e termina em Santa Maria do Boiaçu, Roraima. Talvez as coisas sejam mais fáceis por lá, mas como sei que o melhor lugar do mundo é onde Deus nos colocou, logo a vontade passa e continuo aqui, animado com o que o Senhor tem feito entre os povos indígenas no norte do país. A Márcia continua uma graça. Ela diz que são meus olhos, mas eu acho mesmo. Trabalha na tesouraria da Missão e dá um duro danado. A Tainah diz que vai nos dar um neto não sei quando. Ela e o Gildo (Ermenegildo, ai!) estão muito bem. O Timóteo e a Grazi estão no Rio de Janeiro na Escola Internacional de Cinema aprendendo muito sobre as novas mídias para virem para cá como missionários de tempo integral nos ajudar com a divulgação do trabalho da Missão. Voltam mês que vem para Vitória para iniciar o levantamento de recursos para o ministério aqui em Roraima.

Muito obrigado pela sua participação nas nossas vidas e ministério. Um dia iremos juntos compreender a profundidade e a dimensão do amor de Deus por todos nós.

No temor do Senhor,

Milton Camargo
Boa Vista, abril de 2008

De Deus somos cooperadores

Sexta, 4 de Janeiro de 2008

Prezados cooperadores,

Na verdade, “de Deus somos cooperadores”! Todos nós - uns sustentando com orações e ofertas, nas igrejas; outros, aqui em Boa Vista, nos trabalhos de apoio; e outros diretamente nas aldeias, ensinando ou traduzindo a Palavra de Deus, assistindo os doentes, alfabetizando e ensinando nas escolas. Por isso, devemos nos alegrar juntos pelo ano que se passou:
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- Neste ano recebemos a autorização para visitas regulares à aldeia ingaricó de Cumaipá. Casais estão estudando e preparando material linguístico na língua ingaricó.
- Gravação de mais de 50 programas de rádio e músicas na língua macuxi, veiculados pela rádio Transmundial.
- Em novembro, houve o culto de consagração do Novo Testamento sanumá, na aldeia ianomâmi de Auaris, contando com a presença do tradutor e alguns convidados. No culto houve batismos e a realização da santa ceia.
- O estabelecimento de um posto permanente em Halikatu-u, onde vivem os maitás. Já foram construídas uma escola e uma clínica.
- Foram traduzidos os livros de Lucas e Efésios para o dialeto ninam, língua ianomâmi.
- Houve a formatura da primeira turma do CAL - Curso de Aperfeiçoamento de Líderes - com indígenas macuxis e uaiuais.
- Foi traduzido o livro de Lucas para o dialeto palimitheli da língua ianomâmi e está em fase de revisão.
- 3 novos casais chegaram para trabalhar conosco. Eles já são resposta de nossas orações por mais seis casais de missionários.

Como diz o velho hino, ficamos sempre “surpresos ao contar as bênçãos recebidas da divina mão”! Há, sem dúvidas, outras de que não me lembro agora em meio ao serviço. Mas temos a consciência de que o Senhor sempre nos dá muito além do que pedimos ou pensamos - a própria permanência da Missão neste trabalho é uma prova dessa verdade, temos uma boa equipe, sustento e permissão para estar nas áreas indígenas.
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Por favor, continuem orando pela MEVA, por mais obreiros, pelos missionários com problemas de saúde, pelos líderes e crentes das igrejas indígenas, e por sabedoria no relacionamento com as comunidades onde a Missão atua.

Que Ele nos permita continuar nessa parceria, anunciando o Reino de Deus entre as nações indígenas do Brasil.

No amor de Cristo,

Milton e Márcia Camargo
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Trechos da carta… parte 3

Terça, 30 de Outubro de 2007

Gostaria de pedir oração por um sanumá de 12 anos que foi enviado para São Paulo para confirmação de diagnóstico. Aqui achavam que teria de fazer transplante de fígado, o que já foi descartado. Ele está aguardando o diagnóstico definitivo. Um outro rapaz ianomâmi, maithá, Ximotea, teve uma forte infecção e perdeu uma das vistas. Ele precisa de uma cirurgia para que não corra o risco de perder a outra, mas por motivos culturais tem havido alguma dificuldade, embora o próprio doente tenha entendido e concorde em se submeter à intervenção cirúrgica. Estamos providenciando laudos de vários médicos para que se possa salvar o outro filho, tão essencial principalmente para um ianomâmi que vive e sustenta sua família através da caça, pesca e cultivo de roça.
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Milton, como presidente, e eu, na tesouraria, estamos principalmente na retaguarda dessa obra que está sendo realizada na força e graça do Senhor. Sem a fidelidade de cada um de vocês, alguns conosco desde 1980, não poderíamos ter continuado por tanto tempo. São várias igrejas e irmãos que têm nos sustentado financeiramente e em oração. Somos todos membros de um só corpo, cada um com sua função. Muito obrigado.
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No amor de Jesus,

Milton e Márcia Camargo

Trechos da carta… parte 2

Terça, 23 de Outubro de 2007

Apesar da constante falta de obreiros, já que o campo é sempre maior e pronto para a ceifa, graças a Deus, temos visto muitas coisas boas acontecendo. Os Novos Testamentos na língua sanumá, falada pelos ianomâmis que moram na região do rio Auaris, quase fronteira com a Venezuela, no extremo noroeste do estado do Roraima, já estão em Boa Vista. Haverá uma cerimônia oficial de entrega aos crentes de Auaris, em novembro, com a presença do missionário que fez a tradução, Donald Borgman, dos missionários que ainda atuam entre esse povo e várias outras pessoas que, direta ou indiretamente, participaram desse ministério. Existe naquela aldeia um grupo de convertidos sedentos do conhecimento da Palavra. A MEVA tem se esforçado para atender aos seus apelos através de discipulado e um curso, mesmo antes da chegada do Novo Testamento.
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No final deste mês, Milton vai fazer uma viagem ao Budu-u pois os maithás daquela região mudaram a aldeia local. Milton e um colega, Jônatas, vão construir uma nova casa, junto à nova maloca, para que tenham onde ficar e atender quando missionários fizerem visitas àquele grupo.
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No Halikatu, onde foi construída a pista de pouso e há uma outra aldeia maithá, já tem missionários residindo entre eles. André e Itamara Marques estão lá desde maio. Curt Kirsch ajudou-os construindo um local onde funciona a escola e a clínica. O novo desafio é a construção de uma casa para o casal.
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No amor de Jesus,

Milton e Márcia Camargo

Trechos da carta… parte 1

Quinta, 18 de Outubro de 2007

Nos próximos dias estaremos colocando trechos de uma carta que Milton e Márcia Camargo fizeram…

Queridos,

Já estamos no nosso vigésimo oitavo ano em Roraima! É nessa altura da vida que começamos a entender versos como: “O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa”. (Sl 144:4)

Deus nos deu dois filhos, roraimenses, que cresceram “muito rápido” e já são casados. Timóteo e Graziela moram em Vitória. Casaram-se dia 26 de maio deste ano. Eles têm planos de ajudar no trabalho da MEVA, a partir de 2008, utilizando o seu treinamento profissional, Timóteo é jornalista e Graziela pedagoga. Tainah e Gildo já completaram dois anos de casados. São muitas as alegrias, mas a maior delas é que os quatro são fiéis ao Senhor e exercem ministérios em suas igrejas.

No amor de Jesus,

Milton e Márcia Camargo
milton e marcia camargo - milton e marcia camargo